Recherche Projekt | Research Project “Parrhesia und die Gedankenströme als Methode der Kreation”. Berlin, Germany. “Supported by Fonds Darstellende Künste with funds from the Federal Government Commissioner for Culture and the Media within the program NEUSTART KULTUR.”

Vim aqui falar sobre a verdade. Minha verdade singular. Vim aqui bancar a minha verdade e pra isso, preciso fazer um pacto com vocês, os outros. E eu vou saber se vocês não estão presentes. Porque isso aqui é um tipo de sexo. A gente sabe quando o outro não está presente no ato sexual. É isso aqui que eu to fazendo tem a ver com sexo. Presença. Verdade. Estar. Ser. Vulnerabilidades.Não se preocupar em fazer bonito. No livro do Foucault ele menciona a urgência da verdade. Eu já penso na minha urgência em se fazer alguma coisa. Na urgência em dizer alguma coisa. 

Tá bom? Mas onde é que você quer chegar? O que vc quer fazer? O que eu preciso colocar pro mundo? Cadê a porra da minha verdade? Eu to aqui te pedindo pelo amor de Deus cadê a porra da verdade. Eu nem sei porque eu resolvi pensar na verdade se tudo que eu imagino ainda nem existe ou bem existe só na minha cachola. E é neste processo aqui, neste meu lugar tão incerto, frágil, vulnerável é onde tá a verdade né? Tipo um sapo que dizem que é um pedaço de chão que pula. 

Agora eu quero brincar de falar a verdade, vamos brincar com a verdade dentro da ficção. Com sorte, encontro algo. Fricção. Frisson. Bresson. Paris. Estamos em Paris. Eu tava em Paris ontem e as notícias que tenho não são as melhores, senhoras e senhores, nesta hora eu dou um tempinho para vocês se emocionarem. Algum tipo. Se afetem com algo. Algo feroz. Algo selvagem. O que te afeta, cariño? “Meu pronome é Carinito”. Lembrei da história do dia que pisei no piche de sandália Melissa, uma sandália de plástico, o plástico derreteu, meu pé queimou. Era só isso que eu tinha hoje. 

Nesta hora acontece algo muito interessante no palco, uma música e uma chuva de imagens. E vocês se afetam.

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I came here to talk about truth. My singular truth. I came here to stand for my truth and to do this I need to make a pact with you, the others. And I will know if you are not present. Because this here is a kind of sex. We know when the other is not present in the sexual act. This is what I am doing here has to do with sex. Presence. Truth. To be. Being. Vulnerability, not worrying about looking good. In Foucault’s book he mentions the urgency of truth. I already think about my urgency to do something. The urgency of saying something. Is that good? But where do you want to go? What do you want to do? What do I need to put to the world? Where is my fucking truth? I’m here asking you for God’s sake where is the fucking truth. I don’t even know why I decided to think about the truth if everything I imagine doesn’t even exist or exists only in my head. And it is in this process here, in this so uncertain, fragile, vulnerable place of mine where the truth is, right? Like a frog that they say is a piece of ground that jumps. Now I want to play with the truth, let’s play with the truth inside fiction. With luck, I’ll find something. Friction. Frisson. Bresson. Paris. We are in Paris. I was in Paris yesterday and the news I have is not the best, ladies and gentlemen, this hour I give you a little time to get emotional. Some kind of. Get affected by something. Something fierce. Something wild. What affects you, cariño? “My pronoun is Carinito. I remembered the story of the day I stepped on tar in Melissa sandals, a plastic sandal, the plastic melted, my foot burned. That was all I had today. At this time something very interesting happens on stage, a song and a shower of images. And you get affected.